sábado, agosto 25, 2007

COVARDIA

covardia é não pegar uma arma e invadir um banco, com medo do que pode acontecer no durante e no depois.
as notícias me pegam de jeito como um soco, sem aviso, na boca-do-estômago, me roubando o ar, que já não é tão de graça assim, fazendo com que lágrimas sejam campeãs nos cem metros rasos, do canal lacrimal ao meu rosto todo, que se afoga em soluços.
pranto, canto de uma mente afetada por um sentimento de impossibilidade, de inutilidade, de incapacidade de cuidar do menos, ou do mais abandonado.
ser esse que chegou até um lugar, que estudiosos dizem ser, impossível, pelos mais renomados estudos feitos da condição em que vivem. esse ser, calango-idoso-aposentado, do árido sertão nordestino e de outros áridos sertões espalhados por todo esse Brasil de meu Deus. onde eles tentaram chegar, conseguiram sobreviver, para morrerem vítimas de uns poucos que não devem ter mãe, nem pai, roubando-lhes o pouco de dignidade, que poderiam obter de um injusto sistema de distribuição de condições de serem mortos mais rápido.
isso não se chama covardia, essa atitude não tem nome nem definição, em qualquer língua que se procure. o mais perto que podemos chegar é atrocidade. coisas só vistas em guerras americanas com prisioneiros muçulmanos em prisões americanas.
estava eu chorando por causa da notícia do roubo aos aposentados do nordeste, aqueles calangos que citei ai em cima, que choram por não poderem ter uma segurança mínima em suas vidas ou final delas.
por causa da ganancia de poucos que se dizem espertos, (e ai como rezo para ao ficarem velhos não terem nada, serem roubados por eles mesmos de si mesmos) não conseguem a tão sonhada dignidade, o tão sonhado descanso da luta pela sobrevivência, o real descanso de uma luta que começou no berço, sem nem encontrar descanso no final de suas existências.

Nenhum comentário: